Décimo oitavo dia: Ciência e Filosofia

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Quando fiz faculdade, lá na Escola de Belas Artes da UFRJ, eu tive aulas de Estética, ou seja, filosofia da arte. Estudamos Platão, que expulsava os artistas da sua República pois não considerava a arte, salvo a música, algo que mereça atenção (conquistando com isso um torcer de nariz de minha parte, apesar dele ter ganhado minha “simpatia” quando concedeu que o amor é algo tão maravilhoso que “mesmo por uma mulher” ele não é desperdiçado – valeu, Platão!), seu discípulo Aristóteles, com sua teoria da importância da arte na catarse e desta para a saúde mental da pessoa (que por sinal eu sempre cito quando começam a falar que jogo violento induz à violência), e além desses filósofos clássicos, também os modernos, como Kant, Hegel, Baumgarten. Meu favorito é Kant.

Kant dizia que, entre a razão (cuja função é prática, cotidiana e objetiva) e o intelecto (nossa máquina formuladora de teorias), há o sentimento. O sentimento é que emite juízo sobre a arte, embora ele seja subjetivo, não lógico, e não seja capaz, em si mesmo, de aferir características intrínsecas do objeto. Mesmo assim, o sentimento é sempre correto. Ué, mas se ele não é lógico e não afere questões concretas, sendo subjetivo e relativo à pessoa, como é sempre correto? Elementar, meu caro Watson. O sentimento é livre de rótulos. O sentimento “pensa fora da caixinha”. Ele simplesmente é, e suas afirmativas são sempre verdade. Então, se o seu sentimento está certo e o meu também, mas eles são diferentes… como faz? Não faz. Aceita-se. Viva a diversidade, opinião é igual bunda, o que seria do vermelho… escolha o adágio que preferir.

Aí me lembro da Regina Moura, minha querida professora de Evolução das Artes Visuais e grande historiadora e teórica da arte. Ela dizia que a gente divide isso tudo, Ciência, Filosofia, Arte, Magia, Religião, Folclore, Hábitos e Costumes… mas não se pode desvincular uma coisa da outra, quando falamos de seres humanos. Somos um Todo, e, como já dizia a teoria da Gestalt, o Todo é maior do que a soma das suas partes. Infinitamente maior.

Somos tão diversos e múltiplos quanto nossas cadeias de DNA somadas, já pensou nisso? Nossa natureza não cabe na caixinha. Nem somos potes de maionese, para precisar de rótulos.

O que chamamos de Ciência, com seu famoso Método Científico, passa muito pela noção de que a Ciência procura provar suas teses, empiricamente, de forma objetiva… né? Pô, pior que não. Já leu sobre a teoria das Supercordas? E sobre os Buracos de Minhoca? Tem muito cientista dizendo que é tudo maluquice, que os caras piraram, mas não tem tecnologia suficiente para provar que estão errados. E tem muito cientista jurando que é tudo verdade, os cálculos levam a crer que é isso mesmo, mas infelizmente (adivinha!) não temos tecnologia suficiente para provar que eles estão certos. Ok, peraí, então imaginamos uma resposta para um grande segredo do Universo, mas não dá para provar que é verdade ou mentira porque não temos ferramentas para isso? Não sei você, mas pra mim isso cheira a Religião.

De resto, sei que os Druidas eram sacerdotes, juízes, cientistas, professores, historiadores, médicos, videntes, artistas, contadores de história, políticos… e, embora eu não tenha provas, acredito piamente: isso é porque eles não tentavam separar isso tudo. Eles pensavam fora da caixinha.

Acredito, e não preciso que me provem. Mas isso é porque eu nem sou cientista nem nada. Pergunta só pra minha mãe: eu nasci artista.

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