Primeiro dia: Por que o Druidismo?

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Por que o Druidismo?

Não sei como foi a experiência para Endovelicon e Wallace, ao sentar para responder a esta pergunta, mas descobri que, ao menos para mim… está sendo difícil colocar em palavras.

Uma mulher comum conhece um homem comum. Olhos cruzam-se, corações aceleram-se, mãos tocam-se e um arrepio cobre a pele: estão apaixonados. O amor amadurece, e com esse amadurecimento ambos conseguem construir muitas coisas – um relacionamento, uma casa, uma família. Têm contas a pagar, faxinas a fazer, doenças ocasionais, toda a ciranda de eventos ordinários e cotidianos. Enfrentam desafios e sobrevivem a eles. Têm filhos. Envelhecem como qualquer ser humano que já pisou na terra precisa envelhecer. Seus filhos crescem e casam-se, e então têm seus próprios filhos.

Um dia, ao segurar seu neto mais novo no colo e niná-lo com mãos experientes, alguém pergunta a essa mulher comum: Por que ele? Por que, entre tantos homens que cruzaram o seu caminho, foi ele com quem você se casou? Por que foi a ele que você uniu sua linha da vida? Por que você o escolheu?

Por que amamos uma pessoa? Por que alguns beijos nos despertam? Por que alguns olhares nos prendem mais do que outros, o que há em uma pessoa, a princípio uma em bilhões, que faz dela única no mundo?

A resposta é uma só: porque sim. É a magia da vida. Há algo em um olhar, uma voz e um toque que ecoa dentro do nosso íntimo. Uma conexão invisível. Uma certeza que não é lógica nem racional… ela apenas é.

O Druidismo na minha vida tem essa conotação. Eu me sinto como aquela velha comum, sentada com um bebezinho no colo, seu neto caçula, sendo confrontada com uma pergunta que bem poderia ser “Por que você é como é?”

Minha fé corre nas minhas artérias junto com o meu sangue, permeia minha visão de mundo, entra e sai dos meus pulmões com a minha respiração. Eu não escolhi o Druidismo. Eu fui encaminhada para ele, como amantes predestinados às vezes olham para trás e percebem as marés da vida que os levaram um ao outro.

Eu sei como cheguei aqui, eu poderia contar essa história com detalhes minuciosos, porque os tenho na memória. Poderia contar como fui criada por pais umbandistas e esotéricos, que sempre me disseram que eu era livre para crer e seguir aquilo que eu desejasse. Poderia contar como a vida me trouxe pessoas específicas, irmãos de alma ainda que não de sangue, que muito me ensinaram, apresentando caminhos e possibilidades.

Poderia também contar da minha própria busca, minhas pesquisas e estudos, e a luz que se fazia a cada vez que eu encontrava algo (uma crença, um conto, uma percepção) que ecoava com o que, no fundo, já estava impresso nos meus ossos… aquele momento mágico em que eu lia algo e meu coração respondia, sem hesitar: “Isso! É isso mesmo!”

Mas nenhum desses fatos seria capaz de explicar o que exatamente aconteceu. Porque o que havia de mais importante, essencial de fato, estava além dos fatos concretos. Estava nessa outra realidade, subjetiva, mutável, indescritível, que permeia esse meio aquoso que é a minha mente, meu coração.

Como todas as questões mais importantes da humanidade, a resposta é bastante simples (e por isso mesmo, difícil de explicar):

Por que o Druidismo?

No mais comum dos dias, eu virei a esquina e deparei-me com ele. E me apaixonei.

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